Tratamento de Lesões de Nervos Periféricos

Após emergirem da medula e formarem o plexo sacral e braquial, os nervos seguem para os membros superiores e inferiores com nomes próprios, cada qual com suas funções motoras e sensitivas. Ferimentos nos braços e pernas, quando atingem esses nervos, podem causar déficits nos movimentos e na sensibilidade e devem ser reparados cirurgicamente por meio de suturas microcirúrgicas.

Atualmente, essas cirurgias podem ser realizadas com auxílio do robô Da Vinci, como podemos ver no caso mencionado em matéria da BBC- Brasil, reproduzida no vídeo a seguir:

Os nervos periféricos contêm milhares de fibras internas formadas pelos axônios das células nervosas, cujos núcleos se encontram dentro da medula ou em gânglios próximos dela. Quando são cortados, possuem capacidade de regeneração e começam a crescer novamente. Ao crescerem, estes axônios não encontram mais a estrutura que os revestia (epineuro e perineuro) e começam a se enovelar na ponta do nervo seccionado, formando uma estrutura nodular e hipersensível chamada Neuromastrong>. A percussão da pele sobre a região onde há um Neuroma gera a sensação de um choque que se irradia pelo território onde este nervo seccionado deveria inervar.

Este sinal leva o nome de Tinel e sua presença na topografia anatômica de um nervo periférico conhecido, na região onde houve uma lesão cortante, praticamente fecha o diagnóstico de lesão desse nervo. No tratamento cirúrgico, com auxílio de lupas ou microscópios, o microcirurgião deve identificar os dois cotos do nervo, ressecar as extremidades dos cotos (neuroma e glioma) ate encontrar o tecido nervoso sadio e efetuar a sutura microcirúrgica. Após esta ressecção, no caso de as extremidades não conseguirem se tocar sem tensão para uma sutura direta, será necessária a interposição de uma ponte de enxerto, geralmente com a utilização do nervo sural da perna ou materiais sintéticos que permitam reproduzir essa função (neurotubos).

Após a reparação do nervo, direta ou com enxerto, os axônios voltam a crescer, porém, desta vez encontram à sua frente o antigo trajeto do nervo que os continham e seguem por este caminho até os seus órgãos alvo: a pele (nos nervos sensitivos) ou músculos (nos nervos motores). Esse crescimento axonal tem uma velocidade estimada de 1 mm por dia e pode ser acompanhada pelo sinal de Tinel, descrito anteriormente, que agora passa a ser móvel e progressivo, acompanhando o trajeto anatômico do nervo.