Saúde das mãos

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Quebrei o punho. E agora?

As fraturas do punho ou do terço distal do rádio estão entre as mais frequentes no ser humano. Geralmente ocorrem quando caímos e nos protegemos com a mão, batendo com ela no chão em posição de extensão. O local mais frágil, em geral, é a região distal do rádio, principalmente em pessoas idosas que sofrem de osteoporose e, portanto, estão mais propensas a esse tipo de fratura.

Quando o osso quebra, o impacto pode desviar os fragmentos e o punho fica com uma deformidade perceptível. Quanto maior a energia do trauma, maior é o desvio, e maior o risco de lesões de outras estruturas, como tendões, músculos, nervos e ligamentos. Em casos extremos, esse desvio pode chegar ao ponto em que o fragmento ósseo quebrado se exponha através da pele, causando uma fratura exposta.

O tratamento de urgência de uma fratura de punho fechada, que não tenha sido exposta, dá-se por meio da imobilização e alinhamento dos fragmentos o mais rápido possível. Em geral, o procedimento é realizado em uma unidade de pronto atendimento por um médico ortopedista generalista. Uma radiografia nesta ocasião, antes de a fratura ser manipulada, é importante, pois revela a gravidade do desvio inicial da fratura. Após esse tratamento, a dor tende a ser controlada com medicações mais simples e o tratamento definitivo deve ser instituído. O tratamento deve ser indicado por um médico especialista em Cirurgia da Mão, que está habituado a lidar com estas fraturas e atualizado em relação às últimas pesquisas relacionadas.

A decisão neste momento envolve a escolha entre o tratamento conservador e cirúrgico. O primeiro vai realizar um melhor posicionamento dos fragmentos quebrados e imobilizá-los de forma mais eficaz, utilizando imobilização com gesso. Em geral, o tratamento deve ser optado em fraturas consideradas estáveis, pois são aquelas em que após colocarmos os fragmentos em seu lugar, eles têm um apoio suficiente um no outro, que permite manter esta posição apenas com a imobilização gessada. Neste caso, a imobilização é mantida por cerca de seis semanas, e após esse período se faz necessária fisioterapia para recuperar os movimentos perdidos devido ao prolongado de imobilização.

A outra opção de tratamento é a cirúrgica, que em geral é indicada no caso de fraturas chamadas instáveis, pois mesmo colocando os fragmentos no lugar e os imobilizando com gesso, acabam se movimentando pela ação dos músculos e tendões e voltam a uma posição de desvio. Neste caso é preciso, além de colocar os fragmentos na posição correta, fixá-los com algum método de fixação, que podem ser de diversos tipos como pinos percutâneos, fixadores externos, placas e parafusos. Cada técnica cirúrgica e cada tipo de fixação tem sua indicação e deve ser escolhida a partir das características da fratura, do paciente e, também, pela experiência do cirurgião com cada um deles. Essa decisão é bastante complexa e, portanto, é de extrema importância ser tomada por um médico especialista na área e neste tópico específico. Obviamente não preciso mencionar que, além da decisão, a realização da cirurgia também deve ser feita pelo especialista em Cirurgia da Mão. Porém, a realidade mostra que esta situação ideal vem se tornando cada vez menos frequente.

Cada vez mais nos deparamos com a indicação de cirurgia sendo feita no primeiro atendimento destas fraturas, em geral, por um ortopedista generalista e com pouca experiência, e pior, sendo ele mesmo muitas vezes o profissional que realiza esta cirurgia.

O tempo médio que o paciente pode esperar por uma cirurgia para tratamento de uma fratura de punho, sem que haja qualquer prejuízo técnico para a realização da mesma, varia entre 10 e 15 dias, desde que a fratura esteja bem imobilizada e alinhada, sem sintomas de compressão neuro-vascular (alteração da circulação nos dedos e alterações da sensibilidade na mão como formigamentos). Portanto, existe tempo de sobra para consultar um especialista em Cirurgia de Mão ou um ortopedista conhecido da família.

No caso de fraturas expostas, quando há uma lesão da pele e exposição do osso quebrado, a situação é diferente. Nesses casos há indicação de tratamento cirúrgico de urgência, em menos de seis horas após o acidente, devido ao risco de contaminação e infecção e, portanto, o objetivo principal deste procedimento é a limpeza da ferida com soro fisiológico abundante. Obviamente, aproveitamos o tempo cirúrgico destina à limpeza para realizar também a fixação da fratura, sendo comum o uso dos fixadores externos nestes casos, pois são métodos que preservam mais os tecidos adjacentes ao osso, que normalmente ficam muito machucados nestas fraturas. Caso enfrente um caso de urgência como esse, em que o tratamento cirúrgico é eminente e uma certeza, procure diretamente um centro hospitalar de referência, onde a chance de ser atendido e tratado por um especialista é maior.

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